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Glosas hospitalares: 8 erros que custam caro

Foto do escritor: Lucas Guimarães de souza
Lucas Guimarães de souza
31 de ago.
6 min de leitura

A clínica realiza o atendimento, mobiliza profissionais, utiliza materiais e mantém toda a estrutura funcionando. Mesmo assim, quando chega o momento de receber, parte do valor faturado é recusada pela operadora.


Essa recusa é conhecida como glosa hospitalar. Ela pode atingir consultas, exames, procedimentos, medicamentos, materiais e outros serviços prestados por clínicas, hospitais e laboratórios.


Nem toda glosa significa que o atendimento foi realizado de forma incorreta. Muitas vezes, o problema está em uma autorização vencida, um erro de cadastro, um código incompatível ou um documento que não foi enviado.


Quando essas falhas se repetem, a instituição perde previsibilidade financeira, aumenta o retrabalho e pode deixar de recuperar valores aos quais teria direito. Por isso, reduzir glosas exige muito mais do que apresentar recursos: é preciso organizar toda a operação administrativa.


Glosas hospitalares: 8 erros que custam caro

O que são glosas hospitalares?


Glosa hospitalar é a recusa total ou parcial do pagamento de um serviço apresentado pelo prestador à operadora de saúde.


De forma geral, as glosas podem ser divididas em duas categorias:


  • Glosas administrativas: provocadas por erros de cadastro, preenchimento, autorização, documentação, cobrança ou envio;

  • Glosas técnicas: relacionadas à indicação clínica, quantidade utilizada, compatibilidade do procedimento ou conduta assistencial.


A Agência Nacional de Saúde Suplementar estabelece o Padrão TISS como referência obrigatória para a troca eletrônica de informações entre operadoras e prestadores da saúde suplementar.


Na prática, uma informação incompleta ou incompatível pode impedir o pagamento mesmo quando o serviço foi corretamente realizado.

Conheça agora oito erros administrativos que mais prejudicam o faturamento de clínicas e hospitais.


1. Cadastro incompleto ou desatualizado


Um erro aparentemente pequeno no cadastro do paciente pode bloquear todo o faturamento.


Nome divergente, número incorreto da carteirinha, data de nascimento errada, plano desatualizado ou ausência de informações obrigatórias podem gerar inconsistências entre a guia enviada e os dados da operadora.


O problema geralmente começa na recepção, mas só aparece dias ou semanas depois, quando a conta é processada.


Para evitar esse tipo de glosa, a clínica deve:


1. Cadastro incompleto ou desatualizado
  • Confirmar os dados antes do atendimento;

  • Verificar a elegibilidade do paciente;

  • Conferir o plano e a cobertura;

  • Atualizar o cadastro sempre que necessário;

  • Padronizar os campos obrigatórios no sistema;

  • Registrar quem realizou a conferência.


Uma validação rápida antes do atendimento pode evitar horas de retrabalho no faturamento.


2. Falhas no controle das autorizações


Alguns procedimentos dependem de autorização prévia da operadora. Quando a clínica não solicita essa autorização, utiliza uma autorização vencida ou realiza algo diferente do que foi aprovado, a cobrança pode ser recusada.


Também é comum existir divergência entre a quantidade autorizada e a quantidade realizada. Se foram aprovadas cinco sessões, por exemplo, a cobrança de uma sexta sessão poderá ser glosada.


A equipe precisa controlar:


  • Número da autorização;

  • Procedimento autorizado;

  • Quantidade aprovada;

  • Validade da autorização;

  • Materiais e medicamentos incluídos;

  • Condições estabelecidas pela operadora;

  • Possíveis alterações realizadas durante o atendimento.


Nos casos de urgência e emergência, a rotina deve seguir as regras aplicáveis e as condições contratuais. O mais importante é que a equipe saiba como registrar e comunicar cada situação.


3. Preenchimento incorreto das guias TISS


O Padrão TISS organiza a troca de informações entre operadoras e prestadores. Campos incompletos, formatos incorretos ou dados incompatíveis podem provocar a rejeição da cobrança.


Entre os problemas mais frequentes estão:


  • Campos obrigatórios não preenchidos;

  • Número de guia incorreto;

  • Identificação errada do profissional executante;

  • Datas incompatíveis;

  • Divergência entre guia principal e guias complementares;

  • Quantidades ou valores preenchidos incorretamente;

  • Utilização de uma versão desatualizada do padrão.


Como o Padrão TISS passa por atualizações, a clínica precisa acompanhar a versão vigente, manter seus sistemas atualizados e capacitar os profissionais responsáveis pelo faturamento.


A conferência deve acontecer antes do envio do lote. Identificar o erro somente depois da glosa gera mais trabalho e adia o recebimento.


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4. Uso incorreto de códigos e terminologias


Outro erro frequente é utilizar códigos incorretos para procedimentos, materiais, medicamentos, diárias ou taxas.


O procedimento pode ter sido realizado corretamente, mas a cobrança pode ser recusada quando o código informado não corresponde ao atendimento registrado ou não está previsto no contrato com a operadora.


Por isso, não é seguro copiar códigos de cobranças anteriores sem uma nova conferência. A equipe precisa verificar:


  • A descrição correta do procedimento;

  • A compatibilidade com o atendimento realizado;

  • A terminologia vigente;

  • As regras específicas da operadora;

  • Os pacotes contratados;

  • Os itens que podem ser cobrados separadamente;

  • As atualizações das tabelas utilizadas.


Uma rotina de validação reduz erros de codificação e evita cobranças incompatíveis com o prontuário ou com o contrato.


5. Divergências entre prontuário, guia e cobrança


A conta apresentada precisa contar uma história coerente.

Se o prontuário registra um procedimento, a guia informa outro e o faturamento inclui materiais sem documentação correspondente, a operadora pode questionar ou recusar a cobrança.


As divergências mais comuns envolvem:


  • Datas diferentes entre os documentos;

  • Procedimentos cobrados sem registro no prontuário;

  • Materiais utilizados sem anotação;

  • Quantidades incompatíveis;

  • Ausência de evolução ou justificativa;

  • Informações contraditórias entre profissionais;

  • Diferença entre o que foi autorizado e o que foi faturado.


A solução passa pela integração entre equipe assistencial, recepção, auditoria e faturamento. Todos precisam entender que um registro incompleto não é apenas um problema documental: ele pode se transformar em perda financeira.


6. Falta de documentos comprobatórios


Laudos, relatórios, pedidos médicos, folhas de sala, prescrições, autorizações e comprovantes podem ser necessários para sustentar uma cobrança.

Quando esses documentos não são anexados, estão ilegíveis ou não podem ser localizados, a clínica encontra dificuldades tanto no faturamento inicial quanto na apresentação de um recurso.


Esse risco aumenta em operações que ainda dependem de arquivos físicos ou mantêm documentos espalhados entre diferentes setores.


A digitalização de documentos ajuda a transformar arquivos físicos em informações organizadas, pesquisáveis e acessíveis. Entretanto, não basta escanear os documentos: eles precisam ser classificados, indexados e associados corretamente ao paciente e ao atendimento.


Para instituições de saúde, o SAME Digital contribui para organizar prontuários e disponibilizar documentos para análise do faturamento médico-hospitalar.


Uma gestão documental eficiente deve garantir:


  • Digitalização com qualidade;

  • Indexação correta;

  • Associação ao paciente e ao atendimento;

  • Controle de acesso;

  • Rastreabilidade;

  • Localização rápida;

  • Proteção das informações;

  • Disponibilidade para auditorias e recursos.


A documentação precisa estar disponível quando a cobrança é enviada, não apenas quando o problema aparece.


7. Perda de prazos de faturamento e recurso


Mesmo uma cobrança correta pode não ser paga quando é enviada fora do prazo estabelecido no contrato.


O mesmo acontece quando a clínica identifica uma glosa, mas perde o período disponível para contestá-la. Nesse caso, um valor que poderia ser recuperado pode se transformar em perda definitiva.


Segundo as orientações da ANS sobre faturamento e pagamento, os prazos e procedimentos de faturamento, pagamento, contestação e resposta devem estar expressos no contrato entre a operadora e o prestador.


Como cada operadora pode trabalhar com calendários e fluxos próprios, depender apenas de planilhas isoladas ou controles manuais aumenta o risco de perder prazos.


A clínica deve manter uma agenda centralizada contendo:


  • Data limite para envio dos lotes;

  • Confirmação de recebimento;

  • Retornos enviados pela operadora;

  • Glosas identificadas;

  • Prazo para apresentação do recurso;

  • Responsável pela tratativa;

  • Data prevista para resposta;

  • Valor contestado;

  • Valor recuperado.


Também é importante configurar alertas e estabelecer responsáveis substitutos para evitar que o processo dependa de uma única pessoa.


8. Falta de acompanhamento dos motivos de glosa


Contestar glosas individualmente resolve apenas parte do problema. Se a clínica não identifica os motivos que mais se repetem, continuará corrigindo os mesmos erros todos os meses.


O acompanhamento precisa ir além do valor total glosado. É importante analisar:


  • Operadora responsável;

  • Motivo da glosa;

  • Setor de origem da falha;

  • Tipo de atendimento;

  • Procedimento envolvido;

  • Valor apresentado;

  • Valor glosado;

  • Valor recuperado;

  • Tempo de resolução;

  • Índice de reincidência.


A ANS disponibiliza um Painel de Indicadores de Glosa, reforçando a importância do acompanhamento desses dados nas relações entre operadoras e prestadores.

Dentro da clínica, os indicadores ajudam a descobrir onde agir primeiro. Se grande parte das glosas nasce no processo de autorização, por exemplo, a prioridade deve ser revisar esse fluxo e não apenas ampliar a equipe responsável pelos recursos.


Como reduzir as glosas hospitalares?


Reduzir glosas exige integração entre pessoas, processos e tecnologia. Algumas medidas importantes são:


Como reduzir as glosas hospitalares?
  1. Mapear todo o processo, do cadastro ao recebimento;

  2. Definir responsáveis por cada etapa;

  3. Criar checklists para os principais atendimentos;

  4. Validar dados e documentos antes do envio;

  5. Acompanhar as versões vigentes do Padrão TISS;

  6. Digitalizar e organizar a documentação;

  7. Controlar os prazos de cada operadora;

  8. Monitorar indicadores e causas recorrentes;

  9. Treinar continuamente as equipes;

  10. Realizar conferências preventivas no faturamento.



Como o BPO hospitalar pode ajudar?


Quando o volume de atendimentos cresce, a equipe interna pode ficar sobrecarregada com cadastros, documentos, guias, conferências, cobranças e recursos.


Nesse cenário, o BPO hospitalar para clínicas e hospitais ajuda a estruturar a retaguarda administrativa com processos padronizados, indicadores e acompanhamento especializado.


O apoio pode envolver atividades como:


  • Organização e conferência de documentos;

  • Processamento de dados;

  • Apoio ao faturamento;

  • Controle de guias e informações;

  • Digitalização e indexação;

  • Monitoramento de prazos;

  • Produção de relatórios;

  • Identificação de gargalos operacionais.


Com processos mais organizados, a clínica reduz erros, melhora a rastreabilidade das informações e ganha mais previsibilidade financeira.


Conclusão


As glosas hospitalares não afetam apenas o faturamento. Elas consomem tempo da equipe, aumentam o retrabalho e dificultam o planejamento financeiro da instituição.

Em muitos casos, a origem do problema está em falhas administrativas que podem ser prevenidas: cadastro incorreto, autorização vencida, guia incompleta, código incompatível, documento ausente ou prazo perdido.


Quanto mais estruturado for o processo, maior será a capacidade da clínica de receber corretamente pelos serviços prestados.


Sua clínica enfrenta glosas recorrentes ou dificuldades para organizar documentos, guias e processos administrativos? Conheça as soluções da Telecred e descubra como tornar sua operação mais organizada, segura e eficiente.

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